Acostumado a ganhar (ou desacostumado a perder), o torcedor palmeirense não assimilou com naturalidade a derrota para o Corinthians no primeiro duelo decisivo das finais do Campeonato Paulista.

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O revés em casa, por 1 a 0, numa decisão de dois jogos, deveria ser visto como um resultado normal, ainda que inesperado dado o histórico recente dos dérbis. Mas não é, em hipótese alguma, motivo para uma rebelião. Até porque ainda há o jogo da volta (dia 27) e o Palmeiras tem totais condições de vencer o inimigo em plena Neo Química Arena, como já ocorreu diversas outras vezes.

Raphael Veiga é um dos melhores jogadores do Palmeiras, mas ficou devendo no clássico da final, segundo Abel / Palmeiras

Dá para entender até a insatisfação de parte da torcida pelo fato de o adversário ser quem é. Qualquer Palmeiras x Corinthians ganha dimensões superlativas. Assim, até a pichação dos muros da sede social do clube pode ser compreendida como um grito de protesto. Até aí, tudo bem.

Palmeiras perdia para o Palmeiras

O que o Palmeiras e os palmeirenses não podem fazer é cair na armadilha de provocarem uma crise onde não tem. Num passado bem recente, sempre conturbado por crises deflagradas assim, a coletividade alviverde sofreu demais. Era a época em que se dizia que o Palmeiras perdia para o próprio Palmeiras.

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Pior do que isso é essa busca momentânea por culpados pela derrota. O que se vê hoje é uma verdadeira caça às bruxas, como se o Palmeiras precisasse oferecer algumas cabeças para aplacar a ira dos torcedores. Certamente esse é o pior caminho para um time que há cinco anos coleciona títulos e quebra recordes de eficiência e rendimento.

Não é hora de eleger vilões

Querer personificar a derrota no Allianz pode contribuir para um fracasso em Itaquera. Não é hora de eleger vilões para uma simples derrota, um resultado que pode ser perfeitamente revertido. Aliás, nos últimos três títulos Estaduais, o Palmeiras perdeu o jogo de ida e ganhou a partida de volta. A única diferença para o cenário atual é que no tricampeonato todos os segundos jogos foram na casa do Verdão, e agora o desafio será vencer no hostil território inimigo.

Abel comanda treino no Palmeiras para a final do Paulistão contra o Corinthians, dia 27, em Itaquera / Palmeiras

O técnico Abel Ferreira pode ter jogado gasolina nessa fogueira, é verdade, quando disse, na entrevista coletiva pós-jogo, que o gol do Corinthians nasceu de um erro de Estêvão, que perdeu a bola no ataque. Ele também queixou-se de um gol perdido por Veiga no início do primeiro tempo, lance que poderia ter determinado outro andamento ao jogo.

Futebol é eficiência. Não achei que o Veiga estivesse criativo e precisamos muito dele nestes jogos, mas as marcações são cerradas e nos duelos de meio-campo foram melhores e na eficácia.
ABEL FERREIRA

Ao expor nominalmente essas duas falhas, o treinador ofereceu à torcida os candidatos naturais ao pódio de vilões do dia. E alguns torcedores embarcaram nessa mancada do treinador, amplificando as críticas aos dois jogadores. Ignorando que ambos são dos mais eficientes e importantes peças do esquema vencedor do Palmeiras da atualidade.

Estêvão é a grande arma de ataque do novo esquema de Abel Ferreira, responsável pela maioria das jogadas de perigo criadas pelo time. Veiga segue sendo o principal articulador do meio-campo. Culpá-los por um insucesso seria uma tolice para além de ser, de fato, uma grande injustiça.

Culpados nas redes

Nas redes sociais e nas conversas de botequim também acabou sobrando para o goleiro Weverton, o zagueiro Micael e o volante Richard Ríos, que tentou uma jogada de efeito no lance em que perdeu a dividida para Memphis Depay no lance do gol de Yuri Alberto.

Nesse embalo passional, até Abel virou alvo de críticas – quase todas elas absolutamente infundadas. Na visão desses torcedores, o técnico português escalou mal, mexeu mal e não despertou na equipe aquele instinto matador que a equipe costumava exibir em jogos decisivos dentro do Allianz.

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Tudo isso é ruim só para o próprio Palmeiras. O momento é de concentração e foco no segundo jogo, sabendo que nada está decidido e reconhecendo que o Verdão tem condições de chegar lá e ganhar. Qualquer desvio desse objetivo será um erro crucial nessa caminhada.

Agora é hora de colocar em prática um dos lemas do técnico mais vencedor da história recente do Palmeiras: “Juntos somos mais fortes”. De resto é manter a cabeça fria e o coração quente para a batalha final.

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