Passado o alívio pela vitória com um gol salvador de Vini Jr. no minuto final do jogo, o que fica de rescaldo da atuação da seleção brasileira contra a Colômbia é o labirinto de incertezas do que pode acontecer até a Copa do Mundo.

Siga The Football nas redes

Com 21 pontos e o segundo lugar alcançado na tabela, a classificação para o Mundial já parece assegurada. Agora, resta saber em que condições esse time chegará ao Mundial com a pretensão de lutar pelo hexacampeonato.

Vini Jr. sofre pênalti no primeiro tempo, que Raphinha bateu e fez 1 a 0, e marca segundo gol aos 54 do segundo / CBF

As imagens filtradas a partir da partida de Brasília não são nada animadoras. Pelo contrário, dá medo de passarmos vexame diante da Argentina, na próxima quinta-feira, já que o adversário joga em casa e tem um time muito mais arrumado do que o nosso, mesmo na ausência de Messi.

Franca evolução, diz Dorival

É bom quando se tem a oportunidade de fazer uma análise crítica de uma equipe quando ela sai de campo ostentando orgulho pela obtenção de uma vitória que parecia improvável até o último minuto de jogo. Seria mais fácil expor todos os erros da equipe em caso de derrota ou mesmo um empate decepcionante em casa.

De modo que devemos sempre levar em conta que é salutar identificar defeitos e buscar soluções num cenário assim. Ruim é quando nos apegamos à vitória para ocultar deficiências.

Seja um paceiro do The Football

E aí salta aos olhos uma preocupação com o discurso do técnico Dorival Júnior. Principalmente quando ele, diante de todas as evidências em contrário, considera que a seleção está em franca evolução sob o seu comando, que o processo de formação de um novo selecionado está no caminho certo e que o grupo está cada dia mais alinhado à sua ideia de jogo.

Há muitas dúvidas

Nada disso parece real. Honestamente, assistindo ao duelo Brasil 2 x 1 Colômbia, não dá para a gente captar todo esse otimismo. É natural, é aceitável, que o treinador exponha esse discurso na coletiva pós-jogo. Ele só não se pode deixar enganar pelo que mostram os fatos. A seleção brasileira está muito longe de ser uma equipe em evolução, de ser um time confiável, de atingir um patamar em que possa ser colocada como uma das favoritas ao título da próxima Copa.

Dorival acredita que o Brasil teve uma boa melhora, mas não está aliviado pela vitória contra a Colômbia / CBF

Aliás, Dorival já garantiu que o Brasil estará na final da Copa-26. Mas, certamente, não será com esse futebol que vem jogando. O Brasil carece de um padrão de jogo definido. Nenhum torcedor faz a menor ideia de qual é o plano tático da equipe dirigida por Dorival. E isso não tem nada a ver com aquela numeralha de 3-5-2, 4-4-2 ou 4-3-3. As dúvidas são mais conceituais e menos formais.

Se junte ao The Football no Instagram

O Brasil de Dorival é um time de posse de bola ou de velocidade? O Brasil de Dorival prefere atacar pelas beiradas ou pelo centro do campo? Os laterais são ofensivos ou priorizam a marcação? Jogamos com um, dois ou três volantes? Raphinha é ponta, meia ou atacante central? Estêvão não pode jogar junto de Raphinha, Rodrigo e Vini Jr? Nosso centroavante precisa ser um finalizador ou alguém que saia da área para criar espaços?

Há inúmeros outros pontos que podem ser questionados com vistas ao futuro da seleção. Talvez agora, livre da pressão de ter de ocupar um lugar mais digno na tabela de classificação das Eliminatórias, o momento tire do ombro do treinador e dos jogadores o peso que lhes impedia de tentar jogar mais bonito para focar apenas no resultado.

Nao faltou luta, é verdade

Contra a Colômbia era ganhar ou ganhar. Agora, passando pelo duelo com a Argentina, onde uma derrota em Buenos Aires não será nenhuma anormalidade, seria bom que o selecionado se ocupasse de um projeto efetivo de construção de um time competitivo para a disputa da Copa.

Alisson se machucou e foi cortado da partida contra a Argentina: Weverton, do Palmeiras, foi chamado às pressas / CBF

Com o que temos hoje, o Brasil seria mero figurante no Mundial-26. Ainda que aos olhos de Dorival Júnior tudo siga às mil maravilhas.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok

Para não sermos injustos, e acometidos pela cegueira da crítica pela crítica, há que se destacar o espírito de luta demonstrado em Brasília diante da forte seleção colombiana. O Brasil jogou querendo ganhar, disputou cada dividida com determinação, correu, suou, buscou alternativas até ser premiado com um gol fortuito no minuto final da partida.

Além disso, positiva também foi a participação individual de Vini Jr, que pela primeira vez assumiu a responsabilidade do protagonismo que a honraria de melhor jogador do mundo lhe confere. Vini chamou para si o desafio de construir a vitória e, bem ou mal, sofreu o pênalti do primeiro gol e marcou o segundo.

Talvez tenha sido o jogo em que ele mais lembrou a imagem que temos do Vini Jr. decisivo e implacável do Real Madrid.

Ainda falta muita coisa. Mas esses são dois bons indicativos de que o discurso otimista de Dorival, quem sabe um dia, possa ser compartilhado por todos aqueles que compõem a Pátria de Chuteiras. Vale a pena acreditar que isso ainda é possível. Com ou sem “pachequismo”.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui