Mais do que alegria, a sofrida classificação diante do Universidad Central da Venezuela deixou uma série de dúvidas sobre a real capacidade do Corinthians vir a ser um dos protagonistas do futebol brasileiro nesta temporada.

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De repente, o time que vinha sendo idolatrado pela torcida, elogiado pela crítica e empoderado por uma sequência de bons resultados iniciada lá atrás, ainda no Brasileirão de 2024, demonstrou tantas fraquezas diante dos venezuelanos que se desfez o encanto.

Ramón Díaz e Emiliano, seu filho, ainda têm muito trabalho para equilibrar o Corinthians nesta temporada / Corinthians

O castelo de cartas ruiu e expôs um festival de incertezas sobre coisas que já pareciam resolvidas à beira das quartas de final do Paulistão. As evidências deixadas pelos jogos mais recentes são claros sinais de que o time ainda está longe de estar pronto para voltar a ser campeão depois de tantos anos de seca.

Equilíbrio entre defesa e ataque

O elenco não é ruim. O time titular tem muita qualidade. O padrão tático escolhido pelo treinador Ramón Díaz – um 4-3-1-2 sem variações – já está incorporado ao DNA da equipe. Mas ainda há muitas inconsistências pelo caminho, e que precisam ser atacadas agora para evitar que provoquem estragos na hora que os campeonatos estiverem nos momentos decisivos.

Como ainda é início de temporada, para todo erro admite-se uma desculpa – e abre-se possibilidade, quase uma esperança, de ajustes na sintonia fina.

O problema central é evidente. Está no desequilíbrio entre defesa e ataque – algo observado por todos os que viram o confronto com a UCV em Itaquera. Os próprios jogadores saíram de campo incomodados com ele.

Memphis Depay foi quem deu o alerta mais severo sobre a necessidade de corrigir essa questão. Em sua opinião, muitas vezes o Corinthians peca por entrar no embalo da torcida e se lança ao ataque de maneira desordenada, permitindo que o setor defensivo fique exposto demais.

Memphis reclamou do time após vitória suada do Corinthians sobre o Central, de Caracas, pela Libertadores / Corinthians

Isso, certamente, explica o alto número de gols sofridos pelo Timão, que quase nunca tem conseguido chegar aos 90 minutos sem ser vazado. No dia em que o ataque compensa, tudo bem. Mas nem sempre isso é possível.

Ramón Díaz, que é pago para ver e corrigir esses erros, diz que a fragilidade defensiva está proporcionalmente ligada ao DNA ofensivo do time. Diante das críticas, ele diz que poderia resolver isso tirando atacantes e escalando mais defensores.

Mas este é um raciocínio simplista demais e que não se aplica mais ao futebol moderno, convenhamos. Cabe a ele achar soluções que reforcem o sistema defensivo sem abrir mão do poderio ofensivo de um grupo que tem Depay, Garro e Yuri Alberto vivendo um grande momento.

Um bom começo para Ramón seria olhar de maneira mais crítica para a forma como os laterais jogam, dando espaços para os adversários nas beiradas de campo e nas inversões de bola. Fora isso, é preciso acertar, definitivamente, o posicionamento dos zagueiros, sobretudo em bolas aéreas.

Peneira pelo alto

A zaga do Corinthians, com qualquer formação, é uma peneira pelo alto, o que intranquiliza até o goleiro Hugo, que se vê forçado a sair em bolas que não são de sua responsabilidade.

Em Itaquera, o Corinthians continua tendo o apoio do seu torcedor, mas agora cheio de dúvidas com o time / Corinthians

Outro aspecto que tem tirado o sono do torcedor corintiano é a dificuldade que a equipe apresenta de “matar o jogo”. Na maioria das vezes em que abriu o placar e dominou o jogo, o Corinthians acabou permitindo a reação do adversário por ter cedido espaço, afrouxado a marcação, se desligado da partida e ter perdido um caminhão de gols.

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Em algumas ocasiões, como contra o Central, esses desvios podem estar relacionados com a injustificada soberba de um time que se sabe superior ao adversário e acha que pode vencer a hora que quiser. Noutras ocasiões percebe-se uma certa indolência de alguns jogadores, que sempre procuram enfeitar uma jogada com um floreio a mais.

Garro, Memphis e Thalles Magno estão nesse grupo, e devem ser cobrados pelo treinador para jogarem com mais seriedade para a tomada de decisão mais certa.

Tem decisão no Paulistão

É evidente que, como ainda estamos em fevereiro, não há nenhum time que se possa considerar pronto para a temporada. Todos têm um longo caminho a percorrer para acharem o ponto de equilíbrio. O Corinthians, talvez, esteja mais pressionado a mostrar resultados porque manteve o time do ano passado, vem num viés de alta e não pode falhar na disputa da Pré-Libertadores, sob o risco de acabar de vez com o encanto do que parecia ser um conto de fadas.

Por isso mesmo, vencer o Barcelona de Guayaquil na próxima etapa do qualifying do torneio continental é vital para salvar o ano corintiano. De preferência, passando menos sufoco e correndo menos risco de um vexame. Neste domingo, o time enfrenta o Mirassol pelas quartas de final do Paulistão, em jogo único.

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