Dorival Júnior que se cubra. Já está em campo, ainda que de maneira meio velada, um movimento para tirá-lo do comando da seleção brasileira em favor de um nome que surge de forma arrebatadora no Rio: Filipe Luís Kasmirski, o técnico que fez do Flamengo o time mais poderoso do Brasil.
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Na esteira dos bons resultados de uma equipe praticamente imbatível desde que ele assumiu o cargo, e incensado pela recente conquista do Campeonato Carioca, o treinador já é visto nos corredores da CBF como o nome certo para conduzir o Brasil ao renovado sonho do hexa, já na Copa de 2026.

Não importa que Filipe Luís seja gênio de um trabalho só, mesmo diante das evidências históricas de que ao técnico da seleção brasileira não basta apenas o presente – é preciso ter passado e futuro. Seu nome caiu no gosto de correntes políticas de muito peso nas decisões da CBF, quase nunca tomadas sem atender a algum interesse deste ou daquele grupo.
Filipe é ótimo no Flamengo
Nas hostes flamenguistas já não há mais nenhuma dúvida de que Filipe Luís é o homem certo para o lugar de Dorival. Parece pouco, mas essa é uma porção considerável das forças que movimentam os bastidores do futebol brasileiro.
O nome também agrada em muito aos veículos de comunicação cariocas, sempre tão influentes e presentes à sombra dos caciques de plantão na CBF. Com o reforço da mídia local, a ideia começa a ganhar corpo e basta um rastilho de pólvora aceso para se propagar em “cadeia nacional”. Foi assim no passado com Parreira, Lazaroni, Zagallo… até Ernesto Paulo ganhou uma chance, lembram?

Como pano de fundo para essas especulações aparentemente fora de hora, há dois fatos que contribuem para sustentar o balão de ensaio no ar. Primeiramente, o trabalho de Filipe Luís à frente do Flamengo é mesmo elogiável sob todos os aspectos. O jovem treinador, recém-saído do grupo de jogadores da equipe, conseguiu dar um padrão de jogo moderno e eficiente, coisa que Tite, ex-treinador da seleção, não conseguiu impor em um ano de trabalho.
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Tudo bem que o elenco do Flamengo já é uma “seleção”, e qualquer treinador com um mínimo de habilidade e aptidões poderia fazê-lo brilhar no campeonato carioca, onde não há rivais. Mas o fato é que com Filipe Luís o Flamengo sobra na turma e apresenta um estilo de jogo que é ao mesmo tempo vistoso e competitivo, bonito e vitorioso, combinações das quais a seleção brasileira se ressente e o torcedor sente saudade há muitos anos.
A seleção é um desgosto
Segundo, na contramão dessa trilha virtuosa do Flamengo, a seleção brasileira sob o comando de Dorival é um desgosto para o torcedor. Um desassossego generalizado, a ponto de se imaginar que o País do Futebol possa não se classificar pela primeira vez na história das Copas para o próximo Mundial, numa Eliminatória que dá vaga a sete nações. Imagina o Brasil fora da Copa atrás de Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador, por exemplo… Uma tragédia, pois não?
As convocações do atual treinador revelam falta de linearidade no trabalho, com constantes mudanças de elenco e de postura tática. Hoje o Brasil não tem um padrão de jogo estabelecido.

Nenhum cidadão na rua saberia escalar a seleção de 1 a 11 para os próximos jogos das Eliminatórias, contra a Colômbia, dia 20, e depois, diante da Argentina, dia 25. O Brasil de Dorival é um time sem identidade, sem rosto, sem alma e sem resultados. O que contribui bastante para a ideia de que, no caso de dois tropeços na semana, Dorival pode pegar seu boné e ir arrumar outro emprego.
Essas reflexões todas certamente marcam um dos ciclos entre Copas mais preocupantes do selecionado nacional. O tempo vai passando e nada está sendo plantado para o futuro.
Sem planejamento
Busca-se sempre uma solução para o próximo jogo, o que, em termos de planejamento, é um risco enorme de dar errado. Dorival já apelou até para a volta precipitada de Neymar, vejam só…
A direção da CBF, na figura de Ednaldo Rodrigues, virtualmente eleito para um novo mandato, tem muita culpa no cartório. Afinal, ele nos vendeu um sonho irreal, ou uma mentira fantasiada de verdade, de termos Carlo Ancelotti à frente do selecionado e isso não aconteceu. Nem sequer foi cogitado pelo treinador italiano do Real Madrid. Parece aquele verso da canção de Seo Jorge, que diz o seguinte: “tô namorando aquela mina, mas não sei se ela me namora…”
Fez parte do enredo do flerte frustrado com Ancelotti uma longa interinidade de Fernando Diniz no cargo, também sem resultados desejados. Quando ninguém mais esperava Ancelotti, nem aguentava mais a seleção entregue ao Dinizismo, a CBF convocou Dorival Júnior para a missão sem que ele tivesse unanimidade para a função.
O Flamengo libera?
Seu começo, com dois amistosos na Europa, até deu a impressão de que a aposta tinha dado match, mas depois, quando veio o trabalho a longo prazo, que exige o tal planejamento e um plano de metas a cumprir, a esperança se esvaiu por conta de resultados ruins, times sem alma e torcedores absolutamente desinteressados.
O cenário é esse, de fracasso. Filipe Luís, empurrado pelo pachequismo à Flamengo, pode pegar carona na onda de descontentamento geral e dar um sopro de esperança para vivermos dias melhores.