No ápice da polêmica que dominou as mesas de bar e resenhas de futebol pelo país afora, a WTorre e a Soccer Grass reuniram mais de 100 jornalistas na manhã deste sábado para “testar” o gramado sintético do Allianz Parque.

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As aspas em testar se fazem necessárias porque é de se supor que entre os convidados a maioria absoluta não tem prática suficiente para dar um veredicto definitivo sobre as virtudes e os defeitos de um campo de futebol profissional. Isso precisa ficar bem claro aos amigos do The Football.

Jornalistas de São Paulo ‘testam’ gramado sintético do Allianz Parque em evento da WTorre e Soccer Grass / Allianz Parque

Afinal, nenhum de nós tem um passado de jogador. E pouquíssimos são os que já tinham vivido uma experiência anterior de disputar uma ‘pelada’ num estádio desse padrão.

Digo nós porque eu estava incluído entre os convidados das duas empresas para esse experimento. Os jornalistas foram divididos em seis times para a disputa de três jogos de 40 minutos de duração, divididos em dois tempos de 20.

Jornalistas em campo

Evidentemente, não havia nenhum rigor tático nem falsas expectativas de um show de técnica e habilidade. Salvo raras exceções, os jornalistas demonstraram pouca intimidade com a bola e um distanciamento da capacidade física mínima necessária para a atividade.

Mas nada disso estava mesmo sendo levado em conta. A proposta, desde sempre, foi proporcionar aos jornalistas esportivos a oportunidade de ver de perto o que é esse tal de gramado sintético que tanta discussão tem gerado ultimamente.

E, de uma maneira geral, a constatação é meio óbvia: o campo não tem ondulações, não tem buraco e não lembra, nem de longe, esses gramados sintéticos das quadras de aluguel onde se joga futebol society de maneira recreativa de norte a sul do país.

O gramado de sexta geração que hoje forra o campo do Palmeiras, coberto por uma camada de cortiça que amortece o impacto das chuteiras no solo, atende aos padrões exigidos pelas mais recentes homologações da Fifa.

Atletas do Palmeiras não foram ouvidos

No entanto, por mais perfeito que seja, não conseguirá aplacar as comparações com o gramado natural, preferido por dez entre dez jogadores profissionais ouvidos nos últimos dias em pesquisas que pipocaram aqui e acolá – curiosamente, os jogadores do Palmeiras não foram chamados a opinar quando da redação do manifesto.

Gramado natural do Allianz Parque foi trocado pelo sintético em 2020, desde então quase não teve problemas / Palmeiras

Como já sabemos, para o grupo de atletas liderados por Lucas e Neymar, que esta semana empunharam a bandeira pelo fim dos gramados sintéticos, o foco não está na opção de um gramado sintético bom substituir um gramado natural ruim.

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O que eles pregam, em defesa da qualidade e linearidade do jogo, é que a única opção para substituir um gramado natural ruim é um gramado natural de excelência.

O problema é como conseguir isso em estádios, como o próprio Allianz, onde a incidência da luz solar é terrivelmente prejudicada pela arquitetura e a quantidade de jogos e shows acumulados para atender ao projeto de arena multiuso.

Sol, descanso e shows eventuais

Ao que parece, qualquer solução tecnológica nesse sentido, como o gramado móvel do estádio do Real Madrid, tem um investimento financeiro altíssimo, que talvez nunca se pague.

Segundo especialistas no assunto, o campo de grama natural precisa de muito sol e pouco uso, limitado a duas partidas por semana no máximo. Shows, só eventualmente. Nesse cenário, a conta não fecha sob o ponto de vista de equilíbrio entre despesa e receita. É matemático. Por isso a discussão não vai acabar tão cedo. E haverá de dividir opiniões a favor e contra, a depender de certos interesses.

Em tempo

O evento realizado neste sábado não foi uma resposta pontual ao manifesto dos jogadores distribuído essa semana. Há mais de seis meses a WTorre e a Soccer Grass conversavam com a direção da ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) para formatar a realização da ação, em celebração aos 30 anos da empresa e aos dez anos do Allianz Parque.

Datas escolhidas anteriormente foram adiadas por conta do calendário de jogos e shows programados para o estádio. O improvável cuidou de elevar o grau de pertinência e oportunidade da ação realizada neste sábado, dados os debates decorrentes do recente manifesto dos atletas. Não dá para negar que, jornalisticamente, o assunto era a pauta do dia.

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