Dentro de um meio-fraque branco e preto e gravata borboleta de cetim, o técnico Segundo Castillo, do Barcelona de Guayaquil, já foi para campo vestido como quem vai para um baile de gala, em plena Quarta-Feira de Cinzas do Carnaval. Nem ele, no entanto, poderia imaginar que o passeio seria tão completo.
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A vitória por 3 a 0 praticamente definiu o confronto que dará ao vencedor do duelo uma vaga na fase de grupos da Libertadores. O perdedor vai para a Sul-Americana.
Para reverter o que parece sacramentado, o Corinthians precisará jogar o que não jogou no Equador e contar com todas as armas que, historicamente, fazem o time renascer das cinzas nos momentos mais difíceis.

Aí vale tudo: a força da Fiel, o caldeirão de Itaquera, São Jorge, vela preta e muito patuá. Se for só na bola não será fácil, porque esse Barcelona demonstrou ser um time muito forte fisicamente, bem treinado e veloz o suficiente para jogar à vontade na Neo Química Arena só explorando os contra-ataques e o nervosismo do adversário.
‘Vou uma vergonha’
Assim, o Corinthians precisa juntar os cacos para tentar a virada histórica. Mas como fazer isso? A primeira providência é rever o tape da partida de Guayaquil e mapear todas as deficiências exibidas ao longo de 90 minutos – que, se juntadas num único pacote, justificam o resumo do jogo feito pelo volante Maycon na saída de campo: “O que fizemos hoje foi uma vergonha!”
Sim, foi vergonhoso. Primeiramente pela infeliz escolha da mudança do esquema tático, o que deve ser colocado na conta do técnico Ramón Díaz. Optar pelos três zagueiros revelou o medo que o técnico tinha de ser vazado no jogo de ida.
Mas essa escolha deixou claro que a opção era jogar pelo 0 a 0, para sair vivo do primeiro confronto. E, ao optar por esse caminho, o time simplesmente não jogou. Renunciou ao jogo. Deu todo o campo para o adversário jogar à vontade.

O Corinthians foi amassado pelo time equatoriano. Logo, a primeira medida que o técnico tem de fazer para o jogo de Itaquera é voltar ao sistema que vinha dando certo, com três volantes, Garro no “enganche” e Memphis e Yuri no ataque.
O Corinthians não está pronto
Corrigida a postura tática, é preciso trabalhar a parte mental. Essa derrota tem um preço alto demais para o grupo, que já se achava pronto para grandes desafios. O resultado mostra que isso não é verdade. E a única maneira de manter acesa a ilusão de uma temporada positiva é virar esse placar.
Resta saber como os jogadores estarão imunes à tensão, ao passar do tempo, aos protestos da torcida, à cera do adversário, aos eventuais erros da arbitragem. Como controlar todas essas variáveis e ainda jogar bola de modo a fazer um resultado de 4 a 0?
Tem Neymar pela frente agora
Fora isso, antes do desafio, o time tem um outro obstáculo a cumprir. A semifinal do Paulistão, contra o Santos, domingo em Itaquera, agora passa a ter um peso ainda maior nas costas dos jogadores. Uma derrota para Neymar e cia. Seria trágico para o emocional do elenco e para a confiança dos jogadores.
Então, chegou a hora de o Corinthians mostrar o que é ser Corinthians. Sob o risco de o ano virar um inferno já em março.