O Palmeiras não aceita a decisão da Conmebol de apenas punir o Cerro Porteño com multa em dinheiro e portões fechados nas próximas partidas depois do crime de racismo de seus torcedores contra o atacante Luighi, do clube brasileiro, durante jogo da Libertadores Sub-20. A Confederação Sul-Americana optou por aplicar multa de US$ 50 mil, o equivalente a R$ 290 mil. E assunto resolvido.
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O choro de Luighi e a indignação que correu o mundo pelas próprias lentes da Conmebol até chegar ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, não merecem nada mais do que uma multa em dinheiro.

No Brasil, o racismo é crime. Deveria ser também no futebol. E deve ser condenado no mundo. Mas nossas entidades esportivas, assunto desse debate, fecham os olhos para isso e continuam tentando normalizar o que não deveria passar despercebido com penas brandas e sem sentido.
O Palmeiras deveria sair do torneio
Por isso também que penso de forma diferente do Palmeiras e de seus dirigentes, como a presidente Leila Pereira, sobre o fato de o clube não se afastar da competição imediatamente. Leila defende que não se pode punir a vítima. E se o Palmeiras tirar o seu time de campo, ela entende que é exatamente isso o que estará fazendo.
É um jeito de olhar a situação, sem dúvida. Mas em certos casos é preciso ter coragem e dar exemplos que não são dados para tentar mudar histórias e fatos, mesmo que para isso se corte da própria carne. Mesmo que para isso a vítima, no caso o Palmeiras, se afaste de uma disputa que gostaria de jogar.
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Entendo ser o Palmeiras muito maior do que a Conmebol, assim como todos os clubes de futebol da América do Sul. A Confederação só existe por causa dos clubes. Sem eles, ela não teria razão de existir. A Conmebol ganha dinheiro às custas dos times, do Palmeiras, Boca Juniors, São Paulo, enfim, de todos os clubes filiados a ela. Se a entidade não tem coragem de tomar decisões duras para andar pra frente, que os clubes tomem por ela.
Soco no estômago da Conmebol
Seria um soco no estômago da Conmebol se o Palmeiras liderasse um movimento em função do caso de racismo contra o garoto Luighi, de apenas 18 anos, e do seu choro comovente.

O presidente da entidade Alejandro Dominguez não entendeu as lágrimas que saíram dos olhos do garoto brasileiro, mas que vieram de sua alma. Alejandro não se sensibilizou a ponto de tomar medidas duras. Ele normalizou o fato e o tratou com um cartão amarelo. Merecia vermelho.
A CBF, por sua vez, mantém os discursos de sempre, brandos e seguindo seu padrão ineficiente, como se o seu presidente, Ednaldo Rodrigues, não tivesse a mesma cor da pele do garoto do Palmeiras agredido criminalmente. Ele tinha o dever de se posicionar com mais veemência.
O Palmeiras deve, sim, continuar a pressionar as instâncias superiores e a bater na porta da Fifa para fazer barulho e clamar por medidas duras. Entendo que deveria fazer as malas e deixar a competição. Isso não vai acontecer. Leila já disse.
Sem a Libertadores
A Libertadores precisa mais do Palmeiras do que o Palmeiras da Libertadores. O Palmeiras pode ser feliz com a Copa do Brasil e o Brasileirão, e ainda com o Estadual, sem precisar jogar a competição sul-americana em todas as suas divisões. Outros clubes brasileiros também podem viver sem o torneio sul-americano.
A Sociedade Esportiva Palmeiras discorda com veemência das punições extremamente brandas aplicadas pela CONMEBOL ao Cerro Porteño-PAR em razão dos ataques racistas sofridos por nossos atletas em jogo disputado pela Libertadores Sub-20, na quinta-feira (6), em Assunção, no Paraguai. Com exceção da medida educativa adotada nas redes sociais, tratam-se de penas inócuas diante da gravidade dos fatos ocorridos e, portanto, insuficientes para combater os reiterados casos de discriminação racial no futebol sul-americano.
NOTA DO PALMEIRAS
Entendo a decisão do Palmeiras de manter seu time na competição no Paraguai, mas penso que o clube perde uma oportunidade de mudar essa história, de dar tapas com luvas de pelica na Conmebol, CBF e Fifa sem sujar suas mãos. De abrir mão dos jogos e do futebol por uma causa maior: a luta contra o racismo.