Quem acreditava que o Corinthians viveria, enfim, uma fase de calmaria após a conquista do Paulista-25 perdeu a aposta. Não bastasse a decepção pela derrota para o Huracán, na estreia da equipe na Copa Sul-Americana, o noticiário extracampo volta a ganhar corpo no dia a dia do clube. Mais uma vez, nas páginas policiais.
Horas antes do fracasso do time de Ramón Díaz na noite de quarta-feira, dia 2, a Polícia Civil de São Paulo intimou o presidente Augusto Melo a depor, agora na condição de investigado, sobre o caso VaideBet.

Junto com ele mais dois diretores foram convocados a dar explicações sobre a denúncia de desvio de dinheiro na operação do contrato firmado pelo clube com a empresa ligada ao ramo de casas de apostas, no ano passado, logo no início da gestão de Augusto. Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo do clube, conhecido como Marcelinho, e Sérgio Moura, ex-superintendente de marketing, também estão na lista dos investigados.
O caso veio à tona depois que o blog do jornalista Juca Kfouri apontou suspeitas de irregularidades no pagamento de comissões do contrato – o que, até então, era negado pelo presidente corintiano.
Segundo o ex-diretor de futebol Rubens Gomes, aliado de Augusto em toda a campanha eleitoral, o presidente afirmou que o acordo milionário em favor do clube não tinha comissionamento previsto. Até que apareceu prova em contrário, apontando para um esquema que incluía empresas fantasmas constituídas em nomes de laranjas.
Como se sabe, a revelação dos malfeitos determinou o rompimento do contrato a pedido da VaideBet por danos de imagem da empresa. E o caso foi parar na polícia.
Corinthians volta às notícias policiais
As oitivas começam com Marcelinho, no próximo dia 14, e seguem com Sérgio Moura (dia 15) e Augusto Melo (dia 16). O delegado encarregado do caso é Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania e da terceira delegacia, responsável por casos que analisam denúncias de crimes por lavagem de dinheiro.
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Os depoimentos já eram esperados, uma vez que o inquérito corre desde o ano passado e já ouviu 20 pessoas arroladas na denúncia, entre elas outros diretores do clube e Alex Cassundé, figura central da investigação. Afinal ele é a pessoa identificada como o intermediário favorecido pela comissão da transação comercial que levou a empresa à condição de patrocinadora máster da camisa do Corinthians.

Com a melhora do time em campo desde a arrancada na reta final do Brasileirão do ano passado e o bom começo da atual temporada, premiado com a conquista do Paulistão há uma semana, o caso parecia adormecido, mas as próximas semanas prometem um recrudescimento da crise.
Pedido de impeachment
Na esteira do inquérito policial, certamente haverá espaço para a oposição requentar a pauta do impeachment do presidente Augusto Melo, que chegou a estar bem perto da votação na virada do ano, mas acabou adiada no Conselho.
Augusto Melo tem evitado falar do caso. Mas, quando se dispõe a fazê-lo, insiste na tese de que ele e o Corinthians são vítimas da maracutaia. É isso que ele terá de provar aos policiais se quiser mesmo limpar seu nome no processo. O dirigente usa como argumento que, recém-empossado, assinou o contrato depois que ele foi submetido e aprovado ao compliance da nova diretoria.
Obviamente isso não basta para lhe dar um atestado de isenção de culpa, daí a importância de seu depoimento. Pego em contradição, no mínimo ele terá que esclarecer se havia ou não a previsão de comissionamento a terceiros pela venda do patrocínio – e se havia, de quanto era e para quem era. Essas são perguntas que ainda persistem sem resposta clara.
Torcida e time não merecem isso
Por fim, é extremamente necessário que o caso seja devidamente apurado e todos os envolvidos considerados culpados paguem pelos crimes decorrentes de operações que sejam comprovadamente ilícitas.
O Corinthians não pode seguir refém da suspeita de ilegalidades cometidas por quem tem a obrigação de representá-lo institucionalmente. O time e a torcida já têm carregado um fardo pesado demais por anos e anos de más administrações e vexames frequentes no futebol e não merecem seguir nesse calvário.