Encontrei meses atrás, no Football Tweet, uma declaração atribuída ao técnico Carlo Ancelotti sobre Kaká quando o jogador brasileiro desembarcou na Itália vindo do São Paulo para jogar no Milan.
Ancelotti comandou aquela equipe com muita competência. Hoje, ele está no Real Madrid com outros brasileiros. Um deles acaba de ser eleito o melhor do mundo: Vini Jr. Também comanda Rodrygo. Numa tradução literal, o texto de Ancelotti sobre Kaká dizia o seguinte:
ANCELOTTI SOBRE KAKÁ
Kaká pousou no aeroporto de Malpensa e eu coloquei a cabeça nas mãos: óculos, cabelo perfeitamente penteado, rosto de bom menino. Só lhe faltavam livros escolares e um lanche. Meu Deus, contratamos um estudante universitário.
Kaká não se parecia em nada com um jogador de futebol brasileiro, ele me lembrava uma Testemunha de Jeová.
Aí ele entrou em campo ainda com jet lag e tudo: o céu se abriu. Com a bola nos pés ele era monstruoso. Parei de falar simplesmente porque estava sem palavras. Nem sequer existiam palavras para o que eu estava vendo.
A Testemunha de Jeová era na verdade alguém que falava diretamente com Deus.
Em seu primeiro desafio nos treinos, Kaká se viu na frente de Gattuso, que lhe deu uma terrível ombrada, mas Kaká nem perdeu a bola. Depois, após ficar com a bola, Kaká fez um passe de 30 jardas, pegando de surpresa até Nesta, que não conseguiu interceptar.
Ao final de cada treinamento, o CEO do Milan, Adriano Galliani e eu sempre conversávamos ao telefone para que eu pudesse contar a ele o que estava acontecendo e depois ouvir o que ele pensava.
Naquele dia, liguei para ele: ‘Senhor Galliani, tenho uma novidade para você’. ‘Boa ou ruim?’ ‘Boa. Muito boa’. ‘Carletto, você está pedindo demissão?’ ‘Não, vou ficar porque acabamos de assinar com um fenômeno’.

Kaká foi eleito o melhor do mundo
Assim teria sido o relato de Ancelotti ao CEO do Milan quando Kaká chegou em 2003. Kaká precisou de um tempo para se adaptar e colher os frutos. Em 2007, foi eleito o melhor jogador do mundo.
Por que escrevo sobre Kaká e Ancelotti? Porque Carlo Ancelotti faz história no Real Madrid e anunciou que pretendia encerrar sua carreira com mais uma conquista de Champions League. Conseguiu. Nesta quarta, 18 de dezembro de 2024, o seu Real Madrid ganhou do Pachuca por 3 a 0 e levantou a taça da Copa Intercontinental. É campeão do mundo.
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Depois daquele seu período no Milan, o treinador italiano continuou armando boas equipes e se deliciando com jogadores brasileiros.
Nesta temporada na Europa, ele comentou mais de uma vez que Vinícius Júnior é o melhor jogador do mundo. Pena que o brasileiro não entrou na seleção dos melhores de LaLiga. Talvez seu nome não tenha entrado por outros motivos.
O brasileiro sofre racismo na Espanha e expôs a intolerância dos espanhóis no futebol com pretos como ele. Ancelotti também se rendeu ao talento de Rodrygo e ficou encantado com Endrick. Ele falava mais de Endrick do que de Mbappé.
O melhor do mundo
Sob seu comando, Vinícius Júnior recolocou o Brasil no topo dos melhores jogadores do mundo. A última vez que isso aconteceu foi com Kaká, naquele Milan montado pelo treinador.
Kaká foi eleito em 2007 e nunca mais o Brasil teve um representante em primeiro lugar. Neymar foi quem mais perto chegou do pódio, ficando em terceiro lugar em duas ocasiões antes de “largar a mão” e andar por caminhos tortos.

Kaká e Vini são jogadores completamente diferentes no tempo, no futebol e no jeito de jogar. O atacante do Real Madrid é mais driblador. Kaká, que também vestiu a camisa do clube de Madri e foi campeão do mundo, era um condutor de bola em arrancadas pelo meio e em direção ao gol. Era lindo de ver. São poucos como ele atualmente.
Chutava de longe e fazia passes magistrais, conforme atestou Ancelotti. Vini é fera no um contra um. É jogador para abrir defesas pela esquerda, principalmente.
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Copa América e Eurocopa
Vini era o brasileiro mais perto de ser eleito o melhor do mundo, como ocorreu neste ano. Seu Real Madrid ganhou o Campeonato Espanhol e a Champions League. Os profissionais que elegem o melhor do mundo da Fifa, porém, se decepcionaram com ele na Copa América e nas partidas da seleção brasileira. Ele foi eleito The Best pelo voto popular e pelo voto dos jogadores. Perdeu na votação dos jornalistas e dos treinadores.