Não poderia ser mais decepcionante a estreia do Corinthians na Copa Sul-Americana depois de cair na Libertadores. A derrota por 2 a 1 para o Huracán, na Neo Química Arena, foi uma ducha de água fria na onda de otimismo da torcida corintiana, que ainda comemorava a conquista do título do Campeonato Paulista em cima do seu maior rival. Fazia 22 partidas que o time não perdia em casa. A última vez foi em agosto.
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O revés inesperado acende uma luz vermelha nas projeções favoráveis que a torcida fazia para a temporada. Se jogar como jogou nesta quarta-feira, o Timão não terá muito o que comemorar na Sul-Americana, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

No universo das gozações entre torcedores, os rivais costumam dizer que o Corinthians precisa de um professor de espanhol para aprender a disputar os torneios sul-americanos, pois é um time regional, sem força fora das fronteiras nacionais. Dizem que é só ouvir alguém falando castelhano que o time já se borra de medo…
Queda da pré-Libertadores
Provocações à parte, é nítido que o time do Parque São Jorge tem problemas emocionais nas disputas continentais. Exceção feita ao ano que levantou a taça da Libertadores numa campanha invicta, a normalidade da performance corintiana é abaixo do seu potencial de grande clube brasileiro.
Aliás, não faz nem um mês que o Corinthians foi eliminado da pré-Libertadores num confronto de mata-mata com o Barcelona de Guayaquil, repetindo vexames históricos como os vividos diante dos modestos Tolima, da Colômbia, e Guarani, do Paraguai.
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O desequilíbrio emocional tão pernicioso às ambições alvinegras foi a tônica do segundo tempo da partida contra o Huracán. Erros de passes primários, tabelas não concluídas, cruzamentos infrutíferos, chutes longe do alvo foram a tônica de um time desajustado, correndo contra o relógio, tentando reverter a desvantagem construída no primeiro tempo de maneira desordenada.
Nessas condições é mais provável que as tomadas de decisões dos jogadores levem ao erro. E foi o que se viu durante 50 minutos. O time teve a bola no pé, mas não soube o que fazer com ela para chegar ao gol de empate.
Além de um desajuste coletivo, a noite também foi marcada por atuações muito ruins de alguns jogadores individualmente. O principal deles, Memphis Depay. Muito bem marcado, irritou-se com a forma como o juiz chileno permitiu o contato físico sem considerar faltas.
Nada deu certo em Itaquera
Sempre que tentou dominar a bola de costas para fazer o giro em busca do ataque, foi acossado por dois adversários e perdeu quase todos os duelos individuais. Só teve um momento de genialidade quando tentou um gol por cobertura num chute do meio do campo, naquele lance que todo mundo conhece como o gol que Pelé não fez. Foi pouco para tirar o Corinthians do sufoco.

Também jogaram abaixo do esperado o atacante Yuri Alberto, que quase não pegou na bola, e Romero, que entrou como titular e capitão na vaga de Garro, mas passou despercebido em campo na etapa inicial.
Pior: todas as alterações feitas pelo técnico Ramón Díaz para melhorar o rendimento na etapa final acabaram piorando o time. A equipe não ganhou eficiência e ainda perdeu o que tinha feito de melhor no primeiro tempo: as articulações pelo setor direito, lideradas por Carrillo.
Giovanni, aberto naquele setor, e Talles Magno, pela esquerda, não conseguiram fazer nenhuma jogada de linha de fundo e levaram zero perigo ao gol argentino. Bidon e Coronado, que entraram no meio-campo, estiveram abaixo de Martinez e Carrillo.
Trauma dos torneios internacionais
Enfim, nada deu certo numa noite bastante infeliz. O trauma dos torneios sul-americanos falou mais alto outra vez e o Corinthians já começa o ano numa sinuca de bico. O próximo jogo pela Sul-Americana é contra o América de Cali, lá na Colômbia. Em caso de eventual derrota, que até seria um resultado normal, o Corinthians pode estar dando adeus à competição muito antes do que qualquer torcedor imaginava.
Ainda é possível reverter a situação. Mas para tanto o Corinthians tem de achar um jeito de superar esses fantasmas que “hablam” espanhol. Arriba, Timão!