“Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!” Certamente você que gosta de futebol já ouviu essa frase em algum momento da história em que uma conjunção de fatores improváveis coloca o clube da estrela solitária no meio de uma situação negativa – inacreditavelmente negativa, quase sempre um vexame.
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A frase é de autoria de um emérito botafoguense, o jornalista Paulo Mendes Campos (1922-1991). A expressão foi cunhada em um artigo escrito para a hoje extinta Revista Manchete, publicado em 25 de agosto de 1962, de acordo com documentos encontrados no acervo do Instituto Moreira Salles.

Desde então, a frase entrou para o folclore do futebol brasileiro e virou sinônimo de fracassos, de passagens trágicas e/ou resultados inesperados do clube de General Severiano, tais como a inacreditável perda do Campeonato Brasileiro do ano retrasado, quando o Botafogo chegou a abrir 15 pontos de vantagem sobre os demais concorrentes até cair, cair, cair e perder o título para o Palmeiras.
O clube, enfim, se redimiu no ano seguinte, quando, além de ganhar o Brasileirão, faturou também o inédito título da Taça Libertadores da América. O ano da glória eterna.
Mas eis que, três meses depois dessas conquistas acumuladas, a torcida acompanha, de novo incrédula, um período de baixa inimaginável. Mas não inexplicável. Aquele Botafogo supercampeão do ano passado não existe mais. O que era euforia hoje é só incerteza.
A fase auspiciosa do alvinegro carioca foi destruída por uma série de decisões administrativas tomadas no sentido contrário da manutenção daquilo que vinha dando certo. E o encanto se desfez…
De campeão a time sem rumo
Primeiro foi a saída do técnico campeão, seduzido por uma proposta milionária do futebol árabe. Depois, em sequência, a venda dos principais jogadores do elenco, entre eles o argentino Almada e o atacante Luiz Henrique, dois dos pilares do sistema de jogo vitorioso de 2024.

A demora para repor um treinador de gabarito também fez muito mal ao clube, que disputou duas decisões de título e todo o campeonato carioca deste ano com técnicos interinos. Resultado: derrotas nas decisões da Supercopa do Brasil, para o Flamengo, e da Recopa Sul-Americana, com duplo revés diante do Racing, da Argentina. No campeonato estadual nem sequer se classificou para o quadrangular final.
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John Textor, o todo-poderoso dono do clube, minimiza a situação de momento e, com sua habitual arrogância, não aceita críticas, tampouco os protestos da torcida em relação à falta de reforços e ao planejamento do clube para a temporada. Em coletiva recente, o bilionário investidor se defendeu.
Desabafo de John Textor
“Fiquei chocado com os protestos, porque me atingem pessoalmente. É realmente patético que eu tenha sentimentos de ódio agora. Se eu chegasse aqui em 2021 e fizesse uma proposta dizendo que daria quatro títulos ao Botafogo em um prazo de 15 anos, eles me dariam tudo para que eu assumisse o clube. E aqui estamos.”
O dirigente acredita que vai recolocar o Botafogo nos eixos. Aposta que o momento é de uma equipe em reconstrução, que levará a outros resultados que orgulhem o torcedor e honrem a história do Botafogo. Mesmo que, para isso, ele tenha que lutar com todas suas forças e seus cifrões contra o estigma de que há coisas que só acontecem com o Botafogo.
Eu também tinha certeza de que seria campeão do mundo em 1982 com aquela seleção sensacional. Vamos esperar os acontecimentos no brasileiro, jogo se ganha dentro de campo e não no falatório.
A ITÁLIA NÃO GANHAVA NINGUÉM.