Para além dos prejuízos técnicos que sua ausência pode causar ao Corinthians que estreia nesta quarta-feira, dia 2, na Sul-Americana, a súbita viagem de Rodrigo Garro para um tratamento médico na Espanha gera muitas dúvidas sobre o verdadeiro estado clínico do jogador argentino.

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Há, no mínimo, uma certa dose de apreensão no ar. Até porque Garro disputou a partida final contra o Palmeiras e nada indicava que ele precisasse passar por algum procedimento médico mais relevante.

Quando o clube libera o atleta para ir sozinho para a Espanha em busca de um “procedimento inovador”, sem especificar do que realmente se trata, é no mínimo estranho para quem vê a situação de fora, sem ter os detalhes do dia a dia do protocolo médico aplicado para o caso do camisa 8.

Garro vai para a Espanha a fim de tratar do seu joelho e não sabe quanto tempo ficará fora do Corinthians / Corinthians

A nota oficial expedida pelo Corinthians revelando a viagem para Europa é superficial. Diz que a medida foi tomada em conformidade com o departamento médico do clube, mas não há nenhuma palavra de representantes desse setor sobre a conduta a ser traçada. Também não há informações muito claras sobre o que seria esse tal método inovador para tratar da tendinite patelar que tem tirado o sono do jogador há alguns meses.

Perguntas sem respostas

O que resta é uma zona sombria de dúvidas e perguntas que precisam ser melhor respondidas pela direção e pelos médicos do Corinthians.
1 – A lesão de Garro é crônica?
2 – Ela é impeditiva de ele jogar duas partidas seguidas?
3 – Não foi um risco demasiado colocar o jogador em campo contra o Palmeiras nessas condições?
4 – Os médicos do clube não têm conhecimento suficiente para conduzir o tratamento com o jogador no Brasil?
5 – A viagem de uma semana para a Europa não é pior para quem deveria estar fazendo tratamento intensivo no local da lesão?
6 – O tal tratamento inovador a que ele será submetido tem resultados expressivos comprovados cientificamente?
7 – Em quanto tempo o jogador poderá estar de volta aos gramados?
8 – Tendinite patelar não é uma doença crônica, sem cura, que deve ser tratada constantemente para manutenção dos níveis de controle da inflamação?

Todos esses questionamentos são ainda mais pertinentes quando o mundo do futebol reconhece a excelência da ortopedia brasileira aplicada ao esporte. O normal, aliás, é que jogadores venham da Europa buscar os melhores tratamentos e os profissionais mais gabaritados da área aqui no Brasil, e não o caminho inverso.

Medicina esportiva no Brasil é ótima

Se tem uma coisa de que o futebol brasileiro pode seguir se orgulhando é da qualidade de sua medicina esportiva, incluídas aí as áreas de diagnóstico, tratamentos, nutrição, cirurgias e, especialmente, fisioterapia e recuperação de atletas.

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O Brasil é referência internacional nesse tipo de tratamento. Sem entrar no mérito da qualidade do serviço de que se socorre o Corinthians agora na busca para a cura de Garro, fica difícil entender por qual razão o clube e o jogador partiram para esse caminho.

Garro sente dores no joelho desde o ano passado: ele pediu para jogar a final com o Palmeiras pelo Paulistão / Corinthians

Das 21 partidas que o Corinthians fez em 2025, sem contar o jogo contra o Huracán, Garro entrou em campo apenas em dez oportunidades. Sinal de que o problema médico já incomodava bastante o jogador. Isso justifica a opção estratégica da comissão técnica de poupá-lo em alguns confrontos considerados menos importantes.

Emiliano Díaz, auxiliar do técnico Ramón Díaz, revelou na coletiva pós jogo da final que Garro pediu para entrar em campo contra o Palmeiras “nem que seja o último jogo da minha vida”. O próprio Garro revelou depois que tomou infiltração para poder estar em campo. Até que ponto valia esse risco?

Ele tomava infiltrações

A saúde plena do atleta deve ser sempre levada em consideração. Até porque, além de patrimônio do clube, o jogador precisa ser respeitado como ser humano, como um trabalhador qualquer, que só pode exercer sua atividade em perfeitas condições físicas, médicas e emocionais.

Agora que se sabe que Garro vinha mesmo jogando com dores e até infiltrações, é preciso que ele tenha tempo para se recuperar plenamente do problema, em que pese o grande prejuízo que sua ausência representa para o time.

Sem Garro, o Corinthians é mais fraco seja qual for a peça de substituição disponível no elenco. Igor Coronado pode entrar em seu lugar para manter o desenho tático de um meia de ligação por trás da dupla de ataque formada por Yuri Alberto e Memphis. Romero ou Talles Magno podem entrar como um terceiro atacante para o caso de uma mudança de esquema para um clássico 4-3-3.

Com qualquer das hipóteses, a torcida certamente vai sentir saudade de Garro, indiscutivelmente, seu melhor jogador na atualidade. Um jogador que precisa ser tratado com todo o carinho.

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